Maus - Uma representação do Holocausto
- Thayane Gomes
- 8 de jun. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 7 de out. de 2020
Maus é um graphic novel do cartunista norte-americano Art Spiegelman, escrito e publicado entre 1980 a 1991 na revista underground Raw, mais tarde foi editado e impresso em duas partes. O quadrinho retrata Spiegelman entrevistando seu pai sobre as experiências dele como judeu polonês e sobrevivente do Holocausto, em 1992 tornou-se a primeira e única graphic novel a ganhar o prêmio Pulitzer (prêmio estadunidense outorgado a pessoas que realizem trabalhos de excelência na área de jornalismo, literatura e composição musical). Além desse prêmio, recebeu a premiação American Book Award.

A obra começa quando Art Spiegelman questiona seu pai, o judeu Vladek, sobre sua trajetória durante a invasão da Polônia pelo Regime Nazista. Vladek, já velho e doente, conta sua vida desde quando conheceu Anja, mãe do autor, até o fim da guerra, o autor escolhe uma representação antropomórfica para os personagens da obra: utilizando os ratos para representar os judeus, os gatos os nazistas, os cachorros os americanos, e assim por diante. Esta escolha de representação torna mais fácil a compreensão, pois percebemos quem são os “mocinhos” e quem são os “vilões”, o que torna a leitura mais dinâmica e fluida.
Podemos observar logo no início da obra a ascensão do totalitarismo na Europa no inicio da década de 1930, logo após a crise de 29. O totalitarismo é uma forma de governo autoritário que proíbe partidos de oposição, restringe a oposição individual ao Estado e às suas alegações, além de exercer um elevado grau de controle na vida pública e privada dos cidadãos. Isto acontece na Alemanha com a ascensão de Hitler que impõe um regime de terror no país, em que ou a população aceita ou é sumariamente executada.
É durante invasão nazista, na Polônia, que o Vladek Spiegelman e sua esposa Anja, se veem fazendo de tudo pra sobreviver e fugir dos nazistas, Anja por ser de uma família mais abastarda consegue juntamente com a astúcia de seu marido ficar longe dos campos nos primeiros anos, mas estar longe dos campos de concentração não significava boa vida, Vladek precisava fugir da fome, trocando seus bens por esconderijos muitas vezes pequenos e sujos, subornar oficiais judeus e enganar os alemães para fugir. Em 1944 o inevitável acontece, o casal é capturado e levado para Auschwitz, lá ele é separado da sua esposa e tenta sobreviver trabalhando.

Os nazistas ao longo dos anos retratavam os judeus como "ratos imundos", como é possível ver no longa Der Ewige Jude (The Eternal Jew) - 1940 dirigido por Fritz Hippler a mando de Joseph Goebbels, este muito provavelmente foi a fonte de inspiração para compor um dos elementos mais característicos dessa obra, pois o termo “Maus“, em alemão, significa “Rato”. O Vladek percebendo isso procura sempre se manter limpo, e é isto que o salva muitas vezes da morte, pois evitava piolhos, e doenças, ele era muito astuto utilizava-se das trocas para tentar comer melhor e ter roupas melhores oferecendo serviços como funilaria e sapataria, a alimentação era escassa a base de sopa rala e pão velho, o que tornava ainda mais difícil a sobrevivência.

Art Spiegelman escolhe o desenho da sua obra com objetivo de incomodar o leitor, com tons em preto e branco, poucos traços e muitas informações, ele cria uma história emocionante e intensa, nos mostra o pior lado da humanidade de uma forma genial, e apesar de ser um tema muito trabalhado na industria de entretenimento vale muito a pena conhecer o holocausto através desta obra.
Sensacional, ótimo trabalho, parabéns Thay.