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O que Karl Marx achava de Simón Bolívar?

Atualizado: 20 de abr. de 2020

Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palacios Ponte-Andrade y Blanco. Esse foi o nome de Simón Bolívar, líder latino-americano, nascido em Caracas em 1783, que contribuiu para a independência de vários países da América do Sul, como é o caso da atual Venezuela. Neste país, o nome de Bolívar é lembrado com grandes honrarias até nos dias atuais. O líder (ditador?) venezuelano Nicolás Maduro, por exemplo, tem em seu palácio presidencial uma grande imagem de Bolívar e o vê como um grande revolucionário libertador de seu país da opressão colonial da Espanha. Isso não começou com Maduro. Seu antecessor, Hugo Chávez (que defendia a chamada “revolução bolivariana”), também pensava assim. Mas, será que Karl Marx, fundador do materialismo histórico e dialético e do chamado “socialismo científico”, teve conhecimento da atuação de Simón? O que sabemos é que sim! Até escreveu uma carta sobre ele.


Busto de Simón Bolívar. Créditos: Pixabay

Certamente Simón Bolívar é uma das personagens mais controversas da história da América Latina. Para muitos, um grande estrategista militar que com coragem e preocupação coletiva, dedicou grande parte de sua vida a sua região, lutando contra as forças do império espanhol, para que houvesse a independência de países como Colômbia e Venezuela.


Em seu texto sobre Simón, Marx vai construir uma imagem de um Bolívar que não está exatamente de acordo com essa visão. Mesmo por que, para Marx, o próprio líder independentista de certa forma fazia parte do que poderíamos chamar de classe opressora. “Era filho de uma das famílias mantuanas que, no período da supremacia espanhola, construíram a nobreza crioula da Venezuela” (MARX, 2008, p. 33). Põe em dúvida se sua preocupação era realmente coletiva no sentido de todo o povo.


Marx constrói a figura de um Bolívar medroso, e que por muitas vezes foge durante um conflito ou a iminente ocorrência de um. É um covarde. Muitas vezes abandona seus soldados e disto Marx dá vários exemplos durante o seu texto, como o de Arguita, em 8 de agosto de 1814:

“Após a derrota infligida por Boves aos insurgentes em Arguita, em 8 de agosto de 1814, Bolívar deixou secretamente suas tropas na mesma noite e, servindo-se de atalhes, dirigiu-se às pressas para Cumaná, onde, apesar dos protestos irados de Ribas, embarcou de imediato no navio Bianchi, na companhia de Mariño e de alguns outros oficiais” (MARX, 2008, p. 39)

Devido a coisas dessa natureza, Marx chama Bolívar de “Napoleão das retiradas”. É também um traidor, e durante o texto notamos que um dos maiores exemplo disso é o que acontece em relação a Francisco Mirando. Bolívar o entrega aos espanhóis. É uma pessoa muito ligada ao gosto pelo poder e aos títulos. É meio que autoritário em certos momentos. Um exemplo disto é quando, em sendo parte do triunvirato que havia se formado em Agostura, ele dissolve o congresso. É um Bolívar que precisa sempre de auxiliares, que são muitos e fazem de certa forma quase todo o trabalho. Marx gosta de sempre dizer coisas neste sentido: “Em Angostura, Bolívar conheceu Santander, natural de Nova Granada, que lhe suplicou meios para invadir esse território, cuja população estava pronta para se levantar em massa contra os espanhóis.” (MARX, 2008, p. 46).


Por fim, é como se Bolívar fosse aquele que se apossa do mérito de feitos de outras pessoas. Depois de falar sobre um conflito que houve em Achaguas em 1819, Marx diz: “De qualquer modo, as vitórias de Páez levaram à ocupação da província de Barima, o que abriu caminho para que Bolívar entrasse em Nova Granada” (MARX, 2008, p. 47). Não é necessariamente ele quem comanda os soldados à vitória, mas é ele quem faz entrada triunfal em Bogotá em 12 de agosto. Marx escreve também a respeito de um Bolívar que por vezes parece despreparado para a função de “o libertador”.

 

Referência

MARX, Karl. Bolívar y Ponte. In: Simón Bolívar por Karl Marx. SP: Martins Fontes, 2008. (Coleção Dialética). (p. 33 – 76)

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