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Partido russo defende a venda da múmia de Vladimir Lenin para cobrir gastos do coronavírus

Atualizado: 5 de out. de 2020

O corpo do líder soviético está preservado desde sua morte em 1924.


Quase 100 anos se passaram desde a morte de Vladimir Lenin e sua figura ainda causa polêmicas dentro da política russa. Utilizando o pretexto do novo coronavírus, o Partido Liberal Democrata da Rússia (LDPR) está propondo vender a múmia do líder soviético para pagar os gastos com a pandemia.

Corpo de líder soviético permanece em mausoléu na Praça Vermelha há quase um século.

Vladimir Zhirinovsky, o líder do ultranacionalista LDPR, é quem está liderando essa campanha que até o momento reúne poucos adeptos. A inspiração está na ideia do empresário francês Stéphane Distinguin, que defende a venda da Monalisa por 50 bilhões de euros para pagar a conta do coronavírus na França. "Nós poderíamos vender a múmia de Lenin. Existem compradores: China, Vietnã ou algum outro tipo de [país] comunista. E o corpo está em boas condições, foi mumificado há apenas 96 anos", afirmou Zhirinovsky no Twitter.


Quem foi Vladimir Lenin?


Vladimir Ilyich Ulianov (1870-1924), mais conhecido como Lenin, foi um político e revolucionário comunista membro do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) responsável por liderar a Revolução Russa em 1917 e criar a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) no ano de 1922, governando esse bloco político até sua morte, dois anos depois.


Depois de sofrer três AVCs, perder a mobilidade e a fala, Lenin faleceu no dia 21 de Janeiro de 1924, aos 53 anos, depois de ficar menos de um dia em coma. Sua certidão de óbito afirma que a causa da morte foi uma doença incurável nos vasos sanguíneos. Desde então o corpo do líder soviético passou por alguns procedimentos com o intuito de preservá-lo.

Vladimir Lenin em Julho de 1920. Fotografia de Pavel Semyonovich Zhukov.

O Mausoléu de Lenin


Apenas três dias após a morte de Lenin, o Partido Comunista ordenou a construção de um mausoléu de madeira provisório. Após 30 dias, o local foi fechado para a realização de um novo embalsamento, feito com técnicas capazes de preservar o corpo de Lenin por muitas décadas. Em Agosto de 1924 um novo mausoléu de madeira provisório foi feito e aberto ao público. Desde então milhares de pessoas visitam o corpo do líder soviético localizado na Praça Vermelha, no centro de Moscou. O mausoléu como conhecemos, uma construção de pedras pretas e vermelhas, só foi inaugurado em 1930. No local é proibido filmar ou fotografar; deixar as mãos no bolso e é necessário ficar em silêncio em sinal de respeito.


Soviéticos visitando o Mausoléu de Lenin, 1966. Fotografia de Derzsi Elekes Andor.

Durante a Grande Guerra Patriótica (nome dado a Segunda Guerra Mundial pelos russos), o corpo de Lenin foi transferido para a Sibéria devido ao receio de um possível roubo e destruição do corpo por parte dos nazistas.


Entre os anos de 1953 e 1961 o corpo de Josef Stalin também se encontrava embalsamado no mausoléu. Com a "destalinização" promovida pelos líderes soviéticos seguintes, seu corpo foi removido e enterrado na Necrópole da Muralhas do Kremlin.


O processo empregado no embalsamento de Lenin foi tão bem feito que recebeu o nome de "Lenin Laboratory" e é admirado por profissionais da área em todo o mundo. O sucesso fez com que outros países comunistas decidissem preservar seus líderes utilizando esse mesmo método. Esse foi o caso da China com Mao Tsé-Tung (1893-1973) e do Vietnã com Ho Chi Minh (1890-1969). Entre os produtos utilizados estão água destilada, álcool, glicerol, quinina, fenol e acetato de potássio.


Soldados protegendo o Mausoléu de Lenin, Julho de 1988.

Conservar o corpo não é barato aos cofres públicos russos. O sarcófago de vidro de Lenin fica em temperatura de 16°C e em umidade entre 80% e 90%. No total, a constante manutenção gera ao governo uma despesa anual de 13 milhões de rublos (por volta de R$ 1,02 milhão) e a pandemia abriu um espaço para políticos que querem dar um "chega pra lá" no passado soviético.


Desde o fim da União Soviética, o debate sobre o que se fazer com o corpo de Lenin foi feito diversas vezes. A primeira vez quando isso aconteceu foi por iniciativa de Boris Iéltsin, o primeiro presidente russo pós-URSS. Com o apoio da Igreja Ortodoxa, ele tentou fechar o mausoléu e enterrar o corpo, mas foi barrado pela oposição. Um dos desejos de Lenin era ser enterrado ao lado da mãe na cidade de São Petersburgo, porém segundo a agência Sputnik, isso só será possível com o consentimento da família do falecido.


O atual presidente da Rússia, Vladimir Putin, é favorável a manutenção do mausoléu pelo menos enquanto tiver no país pessoas ligadas às realizações do período soviético. Contudo, o homem que governa a Rússia há mais de 20 anos já comparou o comunismo ao cristianismo mais de uma vez, fazendo uma analogia entre o corpo de Lenin e as relíquias de santos. "Veja como Lenin foi colocado em um mausoléu, como isso difere da veneração dos restos mortais pelos ortodoxos, pelos cristãos em geral?", questionou o presidente russo num documentário transmitido em 2018 pelo canal de televisão estatal Russiya-1.


Presidente Vladimir Putin discursando. Foto: AFPAlexey NIKOLSKY / SPUTNIK / AFP

Putin declarou que antigos líderes da União Soviética aproveitaram o culto aos mortos presente na Igreja Ortodoxa, encaixando-o na ideologia comunista. Para ele isso não foi criado pelos soviéticos e muito menos é um problema. Lenin foi preservado, Stalin foi por um tempo e pela alta popularidade de Putin, nada impede que no futuro, após sua morte, seu corpo seja preservado também.



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