Marina é uma das personagens mais emblemáticas da história do México.

Sabemos que ela provinha da etnia Nahua, que sua língua materna era o nahuatl, um idioma dividido em dialetos mutuamente inteligíveis.
O que parece certo é que Marina nasceu livre, mas teve a infância roubada. Levada ao porto de Xicalango, foi vendida como escrava a um grupo maia.
Assim, é de se supor que Marina não tivesse boas recordações de sua infância, quem sabe mesmo ressentimento em relação a seu próprio povo, os Nahua, entre eles, os Astecas.
Uma segunda viagem deve ter sido difícil, especialmente ao lado do novo “proprietário”, mas a menina chegou à cidade de Potonchan. Ali aprendeu a falar o idioma maia e levou a vida durante alguns anos.
Quando o exército de Hernan Cortés invadiu a cidade de Potonchan, Marina foi dada aos espanhóis como presente. Sua história começa a mudar quando emissários de Moctezuma, o grande imperador asteca, dirigem-se à costa para observar os estranhos “visitantes” que ali aportaram.

Hernan Cortés desejava este contato mais que tudo, mas o tradutor Jeronimo de Aguilar viu-se incapaz de entender as palavras astecas. “Esses homens não falam o idioma maia” – disse. Mas Marina os compreendia: “Eles falam nahuatl, minha língua materna”.
O cronista Francisco Lopez de Gomara nos conta que quando Hernán percebeu que Marina era capaz de falar com os emissários, prometeu-lhe “mais do que liberdade” se o ajudasse a se encontrar com Moctezuma.
Hoje, Marina é uma das figuras mais controversas da história do México. Afinal, ela não apenas atuou como tradutora, mas se tornou a maior conselheira de Hernán Cortés. Nativa daquelas terras, conhecia como pensavam as pessoas. Os próprios espanhóis a reconhecem: sem ela, a conquista do México não teria sido possível.
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Amanda Martins é aprendiz de escritora, PHD em História e pós-doc em nerdice.
Fez da Bélgica seu segundo lar. Entusiasta da amizade, acredita no poder transformador da jornada. Site: https://www.aguasfuturas.com.br/
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